Major Ildefonso Juvenal

Major Ildefonso Juvenal

Ildefonso Juvenal da Silva nasceu na capital catarinense, em 10 de abril de 1894.

Depois dos estudos fundamentais, ingressou no curso de Farmácia do Instituto Politécnico de Florianópolis, no qual se graduou em 1924.

Amanuense conservador da Biblioteca Pública do estado, foi, em 23 de abril de 1926, posto à disposição do comando da Força Pública, para organizar a farmácia criada pelo comandante Pedro Lopes Vieira, que seria inaugurada a 5 de maio seguinte, como parte das comemorações do 91º aniversário da corporação. Em 31 de dezembro do mesmo ano, foi comissionado no posto de 2º tenente farmacêutico.

Em 1937, foi promovido a 1º tenente, posto em que passou para a reserva, na década de 1940. Mais tarde, com amparo em legislação da época, foi promovido a capitão, e, depois, a major

Seu gosto pelas letras deve ter sido estimulado por sua primeira ocupação, como tipógrafo do jornal “O Estado”. Além do próprio “O Estado”, foi colaborador de “A Gazeta” e de quase todos jornais de Florianópolis. Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina e foi membro correspondente do Centro de \Letras do Paraná e da Academia Riograndense de Letras.

Publicou seu primeiro livro, “Contos Singelos”, em 1914 (ed. do autor). Depois vieram: “Páginas Simples”, contos (Tipografia do Povo, Florianópolis, 1916); “Painéis” (Prosa, verso e teatro), ed. Fênix, Florianópolis, 1918; “Relevos” (Contos, livraria Cisne, Florianópolis), 1919; “Páginas Singelas”, prosa, versos, discursos (Folha Nova, Florianópolis, 1929; “Contos de Natal” (edição do autor, 1939, com uma edição, aumentada, em, em 1952; e “Teatro” (edição do autor, 1942).

Foi secretário da comissão encarregada de elaborar o Álbum do Centenário da Força Pública, em 1935. Grande parte do texto é de sua autoria, inclusive a apresentação e a bela crônica de abertura – denominada A Voz do Século que Passou ,em que descreve a imaginária passagem do velho século pela sentinela das armas no portão principal do quartel, às 0 horas de 5 de maio de 1935.

Foi colaborador da Revista de Polícia, editada pelo Clube dos Oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal (Rio de Janeiro), no início da década de 1930. Ali publicou vários textos que revelavam uma faceta pouco conhecida do seu talento, o humor.

Foi um dos grandes batalhadores pelo desenvolvimento do bairro do Estreito, tendo presidido a Sociedade Amigos do Estreito” precursora da Sociedade pró Desenvolvimento do Estreito (SODE).

De seu casamento com Ana Gomes da Silva nasceram os filhos Ovídio Juvenal, Gercy Gomes e Aladir Gomes.

Faleceu em 9 de março de 1965.

Sobre sua atividade literária, disse que era “... uma afirmação de vida, uma tentativa de conquista que, se nenhum proveito traz, representa ao menos aos pósteros a minha perseverança, a ânsia de crescer, progredir, lutar e vencer” (Iaponan Soares, in “Estreito, Vida e Memória, Florianópolis, Editora Lunardelli, 1990, p 117).

Na matéria que escreveu por ocasião do lançamento do livro “Páginas Singelas”, patrocinado pelo jornal “Folha Nova” , disse seu diretor , jornalista Mimoso Ruiz, que se tratava de “... fragmentos de uma poesia triste, traduzidos pela prosa cintilante do observador arguto, cuja psicologia é tão delicada e simples como a sua alma boa”. (Folha Nova”, 4/12/1929).

Em 1973, o nome de Ildefonso Juvenal foi dado a uma das ruas do bairro Capoeiras, em Florianópolis. A Lei 6.463, de 1984, instituiu a medalha de Mérito Intelectual “Major Ildefonso Juvenal, para ser concedida ao 1º colocado no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais da Polícia Militar.