12º BPM reduziu mais de 25% dos casos de violência contra a mulher em 2017

Por: Cabo Denício Francisco Rosa, em 12/01/2018


O 12º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Balneário Camboriú, obteve a redução de 25% dos casos de violência contra a mulher em 2017. Os dados comparados com o ano anterior tem relação direta com o programa “Rede Catarina de Proteção à Mulher”.

O Relógio da Violência, criado pelo Instituto Maria da Penha, aponta que no Brasil, a cada dois segundos, uma mulher é vítima de violência física ou verbal, e a cada seis segundos uma mulher é ameaçada pelo namorado, ex-marido ou algum tipo de parceiro. A pesquisa encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança divulgada pelo Datafolha em março de 2017, referente ao ano de 2016, mostra que 22% das mulheres brasileiras já sofreram alguma ofensa verbal, 10% já receberam ameaça de agressão física e 3% - o equivalente a 1,4 milhões de mulheres - já sofreram espancamento ou tentativa de estrangulamento.

O que chama a atenção nesses dados é que 52% dessa estimativa preferiu ficar em silêncio, apenas 11% denunciou e 13% optou por auxílio familiar. Os dados são alarmantes e exigem atenção. Combater a violência doméstica é um conjunto de ações que demanda apoio da família, denúncia, acompanhamento psicológico e - principalmente - coragem, por parte da vítima, para tomar uma atitude. Os fatores mais comuns que impedem a vítima de buscar ajuda são: a falta de informações, julgamentos e ameaça.

De acordo com o Instituto Maria da Penha, a violência pode aparecer de diversas formas e nunca em casos isolados, por exemplo, quando a mulher é agredida fisicamente ela também pode sofrer violência sexual, patrimonial, moral ou psicológica.

-Violência psicológica: acontece quando há ameaça, isolamento, humilhação, limitações do direito de ir e vir, manipulação, perseguição, vigilância constante, insultos, chantagem, ridicularizarão, tirar o direito de crença, constrangimento e entre outros tipos de pressões que possam deixar a vítima amedrontada;

-Violência física: é caracterizada quando há espancamento, apertões nos braços, sacudidas, cortes, queimaduras, ferimentos por arma de fogo, estrangulamento, sufocamento, tortura ou qualquer tipo de agressão física que possa ferir o corpo da mulher;

-Violência sexual: ocorre quando a vítima é impedida de usar métodos contraceptivos, forçada ao matrimônio, estuprada, anulada dos seus direitos sexuais e entre outros;

-Violência patrimonial: quando há furto, controle dos gastos, estelionato, privação de bens pessoais, causa danos aos bens que ela goste, destruição proposital de objetos pessoais.

-Violência moral: quando a vida íntima da mulher é exposta, desvalorizada pelo modo que se veste, tem a reputação manchada e entre outras situações que possam causar constrangimento.

Na área do 12º BPM, as ocorrências envolvendo violência doméstica estão sendo acompanhadas de perto pelo programa “Rede Catarina de Proteção à Mulher”.

Se comparar os números de 2016 com 2017, mostram que os casos diminuíram no último ano, com 419 ocorrências geradas, destas solicitações, 297 resultaram em algum boletim de ocorrência (70,88%). O restante ficou apenas em orientação das partes. No ano passado, foram 564 ocorrências geradas, sendo que apenas 324 resultaram em algum boletim de ocorrência (57,45%), o restante ficou em orientação das partes.

Embora haja uma diminuição do número de solicitações, percebe-se um aumento significativo na efetivação de atendimentos às vítimas. Graças ao programa “Rede Catarina de Proteção à Mulher”, implantado pela Polícia Militar no ano passado. O programa promove palestras, possui policiais do sexo feminino direcionados ao problema que realizam visitas preventivas às vítimas e atuam na fiscalização das medidas protetivas.

Se antes, em 2016, apenas 57,45% das vítimas decidiam por fazer algum registro contra seu agressor, em 2017 esse número passou para 70,88%, um reflexo da confiança das vítimas em serem efetivamente atendidas e protegidas com o acompanhamento de perto pela Polícia Militar, amparando o Estado a punir o agressor.

Em decorrência das denúncias de violência contra à mulher sendo efetivamente atendidas, o número de prisões de agressores aumentou no último ano, como podem ser vistos no gráfico abaixo.

A Polícia Militar se empenha e realiza as devidas averiguações, orientando as vítimas e prestando o devido amparo, porém, o acompanhamento psicológico é indispensável para a reestruturação emocional.

A participação da sociedade continua sendo essencial para a redução desses casos e impedir situações mais graves. É importante ressaltar ainda que comentários, piadas constrangedoras e assédios também são considerados espécies de abuso contra a mulher, assim, atitudes simples podem ajudar a combater este crime machista.

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