Conheça a história da imagem que ilustra a campanha PMSC 182 Anos

Por: Soldado Rodrigo Costa, em 20/04/2017


Atenta aos novos conceitos e às novas ferramentas de comunicação, a campanha PMSC 182 Anos, desenvolvida pelo Centro de Comunicação Social (CCS) da Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC), destaca valores e princípios intrínsecos à sociedade na qual está inserida. Mulheres, etnias, arte, cultura, valorização das pessoas, inovação e integração, foram os aspectos que influenciaram o insight criativo.

A escolha do rosto feminino coloca a mulher como protagonista de uma instituição plural, formada por pessoas com diversidade cultural e com visões de mundo e saberes diferentes, porém, conectada e com uma linguagem multidirecional. Uma instituição composta por pessoas de bem, que buscam o bem das pessoas. Pessoas distintas, em sua grande maioria, mas todas focadas em um único ideal: a garantia do bem comum.

Conheça um pouco mais sobre quem foram as pessoas envolvidas na elaboração da imagem principal, que dá vida à campanha. Parece uma foto, mas não é. A representação final é resultado da contribuição de três policiais, que colaboraram com a produção artística que é a imagem central do aniversário deste ano.

A face que ilustra a campanha é da 2º sargento Luciana Pereira da Silva Cruz, que já está na reserva remunerada há três anos. Seu rosto foi desenhado à mão pelo major Miguel Angelo da Silveira, que levou três meses para concluir a ilustração realista. Por fim, o desenho foi finalizado pelo soldado Jeferson Hinckel, do CCS, que se valeu de recursos gráficos para compor a imagem final.

A equipe de reportagem do CCS conversou com cada um desses policiais envolvidos na elaboração da imagem. Confira abaixo quem são essas pessoas e entenda o mote da campanha.

“Fiquei imensamente feliz. Na verdade surpresa. Falo isso porque quando passamos para a reserva remunerada não esperamos mais ser lembrados por muita gente”, comentou a 2ª sargento Luciana Pereira da Silva Cruz, de 46 anos, que serviu à PMSC por 27 anos. “É uma satisfação e ao mesmo tempo muita responsabilidade. A responsabilidade é que me assusta um pouco. Digo isso porque com esse destaque acabo vestindo mais uma vez a farda da PMSC. E, com isso, visto também a farda de todas as outras policiais femininas”, considerou. “Acabo também representando todas as mulheres contemporâneas, que buscam diariamente seu valor na sociedade. Mulheres que fizeram e fazem coisas magníficas dentro e fora da instituição”, completou.

Na conversa, a policial lembrou com saudosismo dos momentos em que esteve na ativa. “Essa foto foi tirada em comemoração aos 30 anos da Polícia Militar Feminina”, pontuou a sargento, ao falar da foto original, que serviu como referência para a confecção da ilustração. “Cada ano que passa as mulheres vem ganhando mais espaço na PM. E, assim, ajudamos a desmistificar muitas coisas”, diz. “Ampliamos muitas perspectivas e contribuímos, com isso, para que a corporação assuma cada vez mais essa multiplicidade de facetas, que a campanha propõe”, avalia.

Na ativa, a policial além de atuar nas ruas, também compôs o grupo pioneiro de “Teatro de Fantoche”, que atuava nas escolas antes da existência do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), que foi fundado em 1998. No final de 1999 ela também passou a integrar o Proerd, onde permaneceu até 2006. “Lá eu tive a grata satisfação de exercer diversas atividades pedagógicas, que sempre me encantaram”, lembra.

Logo em seguida, a policial foi atuar no Programa de Prevenção dos Jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro. Quando voltou de lá, trabalhou como monitora no Colégio Policial Militar Feliciano Nunes Pires (CFNP), em Florianópolis, e encerrou sua carreira como diretora da creche Vida e Movimento.
“Sinto muita saudade da PM. Foi meu primeiro e único emprego. Tudo que conquistei até hoje foi graças a minha carreira na corporação”, recorda. “A decisão de ir para a reserva remunerada foi muito difícil. Na verdade, eu poderia estar trabalhando até hoje, mas tive de ir embora porque minha mãe é muito idosa e precisava da minha ajuda”, explicou.

Ao conversar com o major Miguel Angelo Silveira, subdiretor do CFNP, que já desenha há 35 anos, ele explicou como compõe seus retratos. O oficial, que desenhou a mão a ilustração da sargento Luciana, garante que nunca fez curso de desenho. Ele levou sete semanas para concluir o trabalho.

Autodidata, o policial destaca que busca continuamente o aperfeiçoamento em seus traços. “Ao todo, já reproduzi uns trinta rostos. Me baseio no estilo realista, uso apenas lápis crayon sob papel”, explicou. “Quando estou desenhando busco retratar os mínimos detalhes da imagem original”, completou. “Fico muito lisonjeado com a oportunidade de ter contribuído, de alguma forma, com a composição final. Agradeço também a oportunidade de apresentar minha arte, e saber que a PM vem estimulando a cultura em suas manifestações institucionais, até porque existem muitos outros artistas na corporação”, agradeceu.

O outro policial envolvido na criação é o soldado Jeferson Hinckel, do CCS, que fez a sobreposição de cores e tratamento da ilustração produzida pelo major Miguel Angelo. O policial levou uma semana dando vida a ilustração. A composição artística é baseada no conceito do “muralista” Eduardo Kobra, que ganhou notoriedade internacional transformando pichações em arte.

Hinckel é formado em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, e trabalha desde 2005 com produção de imagens em agências de publicidade. Em 2011 ele ingressou na PMSC. “Aos poucos vamos incorporando um visual mais moderno à corporação. No entanto, deve ser um processo sutil, para não assustar. As cores do tema representam, de forma subliminar, as diversas facetas que o policial deve assumir diante às necessidades da sociedade”, considerou. “Quando se mescla a imagem de uma profissional fardada, com todas as cores da proposta realista de Eduardo Kobra, podemos visualizar com mais clareza o cerne da ideia. Abstratamente apresentamos toda a proposta inovadora, implícita na multiplicidade da composição final”, avaliou, fazendo uma analogia do layout frente aos desafios institucionais.

Inspiração criativa

A influência criativa da campanha vem da obra de Eduardo Kobra, “muralista” brasileiro. O artista, além de pintar, também adere, interfere e sobrepõe cenas e cores à personagens. O resultado final de suas obras são murais tridimensionais que permitem ao público interagir com a obra.

(Texto: Soldado Rodrigo Costa/CCS :: Fotos: 1º sargento RR Aurélio de Oliveira/CCS)

Ultimas Notícias Institucionais